Voltar ao blog

Análise de safra de leads: por que o CAC do seu mês está errado

Medir CAC pelo mês de fechamento da venda mistura safras e esconde o problema por dois ciclos. A análise de safra corrige isso e muda a conversa de “venda do mês” para “saúde da coorte”.

Em quase todo relatório de B2B que a gente abre, o CAC está calculado pelo mês em que a venda fechou. Não pelo mês em que o lead entrou.

Parece detalhe de planilha. É um dos erros mais caros do funil B2B, e ele não aparece em dashboard nenhum. Pelo contrário, o dashboard fica bonito exatamente enquanto o problema cresce.

A conta que mostra o tamanho do estrago

Ciclo de venda de 45 dias. O cliente investiu R$ 50 mil em mídia em março, R$ 50 mil em abril e R$ 50 mil em maio.

Em maio fecharam 20 vendas. O relatório de maio mostra: 20 vendas, R$ 50 mil de mídia, CAC de R$ 2.500. Todo mundo aprova.

Só que aquelas 20 vendas não vieram de maio.

Das 20 vendas fechadas em maio: 14 vieram de leads de março, 5 de abril e 1 de maio. O CAC real da safra de maio, até ali, é R$ 50.000 ÷ 1 = R$ 50 mil.

O número que foi para a reunião era R$ 2.500. O número que descreve o que está acontecendo agora é vinte vezes maior.

E a pior parte não é o erro de cálculo. É o atraso: a safra ruim de maio só vai virar receita, ou a falta dela, em julho. Quando o buraco aparecer no faturamento, a reação natural é achar que falta volume e triplicar a verba. Investir mais em cima de uma safra que já estava quebrada.

O que é análise de safra

Safra, ou coorte, é o conjunto de leads que entrou num mesmo período. Você para de olhar o calendário de fechamento e passa a acompanhar cada grupo de leads pela vida inteira dele.

CAC da safra = investimento do mês de entrada ÷ vendas geradas por aquela safra

Na prática: pega todos os leads que entraram em março e acompanha quantos viraram MQL (o lead que o marketing carimba como qualificado), reunião agendada, reunião realizada, proposta e contrato. O investimento de março é dividido pelas vendas daquela safra, não pelas vendas que caíram no mês de março.

Quando o cliente passa a olhar assim, aparece uma leitura que o relatório mensal esconde:

  • a safra de fevereiro converteu 12%
  • a de março converteu 8%
  • a de abril converteu 4%

Doze, oito, quatro. A queda é de dois terços em três meses, e ela tem causa. Alguma coisa mudou na mídia entre fevereiro e abril: trocou criativo, escalou rápido demais, saiu da fase de aprendizado, mexeu no público. A safra não diz qual foi, mas diz exatamente onde procurar e em que mês. Ela compara você com você mesmo, o que é metade da leitura: para saber se o patamar de custo já era alto antes da queda, a referência é o benchmark de custo por lead B2B.

Como montar a safra na sua operação

Isso se monta em planilha, sem ferramenta nova. O que precisa existir é carimbo: cada lead carrega a data de entrada e a origem até o fim do funil, e o CRM devolve as duas coisas no relatório.

  1. Carimbe a data de entrada no lead, não no negócio. Se o CRM sobrescreve a data quando o lead vira oportunidade, você perdeu a safra.
  2. Amarre origem e campanha ao mesmo registro. Sem UTM padronizada e lida pelo CRM, a safra existe mas não separa canal. E aí ela mostra que caiu, sem mostrar onde caiu.
  3. Fixe os estágios que você vai medir. MQL, reunião agendada, reunião realizada, proposta, contrato. Cinco bastam. Cada estágio vira uma taxa por safra, e é aí que aparece se o buraco é de volume ou de qualidade do lead que entrou.
  4. Feche a safra só depois do ciclo completo. Se o ciclo é de 45 dias, a safra de março só está madura em meados de maio. Antes disso ela é parcial. E comparar safra madura com safra verde produz exatamente o pânico que a análise deveria evitar.
A safra mais recente sempre parece pior que as antigas, porque ainda não teve tempo de converter. Compare safras no mesmo estágio de maturidade: março aos 30 dias contra abril aos 30 dias. Nunca março fechado contra abril pela metade.

O que muda na conversa com o cliente

Essa é a parte que interessa a quem apresenta resultado para o sócio que assina o cheque da mídia.

Cliente que entende safra para de cobrar “venda do mês”. Começa a cobrar saúde da coorte. É outra conversa, e é a conversa certa, porque a venda do mês depende de uma safra que foi comprada dois meses atrás, e cobrar mídia por ela é cobrar o retrovisor.

Análise por mês de fechamento dá ilusão de controle. Análise de safra dá previsibilidade.

Ela também muda o que você consegue prometer. Com três ou quatro safras maduras na mão, dá para projetar quanto a safra de agosto deve gerar em outubro, com faixa de erro. Sem safra, previsão de receita em B2B é chute com planilha bonita.

Vale lembrar que o CAC de safra ainda é o CAC de mídia. O custo real de aquisição inclui o que o gerenciador não mostra e é aí que entram fee, ferramentas e time. A safra corrige o denominador; a conta cheia corrige o numerador. As duas coisas são necessárias. E do outro lado do CAC está o retorno que cada safra devolve ao longo do tempo, que é o que sustenta segmentar leads por LTV e concentrar verba nos que dão lucro.

Quando não vale a pena

Sendo transparente: safra não é obrigatória em toda operação.

Se o seu ciclo de venda fecha dentro do mesmo mês, como em e-commerce, ticket baixo e decisão por impulso, o mês de entrada e o mês de fechamento são praticamente o mesmo, e a análise de safra só adiciona trabalho. O CAC mensal já descreve a realidade.

Ela vira obrigatória a partir de 30 dias de ciclo. E quanto mais longo o ciclo, mais cara fica a decisão tomada sem ela: em operações com ciclo de venda longo, típico de SaaS B2B, o mês de fechamento e o mês de entrada podem estar separados por um trimestre inteiro.

O outro caso em que não vale a pena é quando o volume não sustenta: safra de 8 leads não tem significância nenhuma. Aí a leitura é trimestral, não mensal.

Por onde começar

Abra o CRM e responda a pergunta que a gente faz em todo diagnóstico: das vendas que fecharam no mês passado, quantas vieram de leads que entraram no mês passado?

Se você não consegue responder em cinco minutos, o problema não é o CAC. É que a sua operação não sabe de qual safra veio o próprio faturamento. E aí toda decisão de verba passa a ser uma aposta.

Continue por aqui

Quer esse olhar aplicado na sua conta?

A conversa começa por um diagnóstico do que está travando a operação hoje. Leva menos de um minuto para preencher, e não tem pitch na primeira conversa.

Pedir diagnóstico →