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Conversion Lift: quanto da sua venda ia acontecer sem anúncio nenhum

ROAS de 3,5 que virou 1,54 depois do teste. Conversion Lift separa a venda que o anúncio causou da venda que ia acontecer de qualquer forma, e a diferença costuma ser desconfortável.

Conversando com um gestor que roda R$ 180 mil por mês só em Meta Ads, operação redonda, resultado “bom”, perguntei se ele já tinha rodado algum teste de incrementalidade.

Ele nunca tinha ouvido falar. E isso explica muita coisa sobre o mercado.

A pergunta que quase ninguém faz

Suas vendas estão acontecendo por causa do anúncio, ou elas iam acontecer de qualquer jeito?

A pessoa já te segue, já conhece a marca, já estava considerando comprar. Aí você coloca R$ 50 de anúncio na frente dela. Ela compra. A plataforma registra a conversão e credita o anúncio.

Mas ela ia comprar assim mesmo. Você pagou R$ 50 para assistir a uma venda que era sua de graça.

Isso não é falha de atribuição: nenhum modelo de atribuição resolve isso, porque todos partem do pressuposto de que o toque causou a venda. É uma pergunta de causalidade, e só experimento responde.

Como o Conversion Lift funciona

A mecânica é a de um ensaio clínico, e vale aqui a mesma disciplina de testar em mídia paga a partir de uma hipótese. Você divide o público em dois grupos:

  • Grupo exposto: vê seus anúncios normalmente
  • Grupo de controle (holdout): não vê nada

Depois de duas a quatro semanas, você compara as vendas dos dois. A diferença é o lift incremental: a venda que só existiu porque houve anúncio.

lift incremental = conversões do grupo exposto − conversões do grupo de controle

O que sobra fora do lift é venda que a plataforma atribuiu a si mesma, mas não causou. É por isso que um ROAS alto no painel pode conviver com prejuízo no caixa.

O caso: ROAS de 3,5 que era 1,54

O gestor topou rodar. Três semanas depois, ligou.

ROAS que o gerenciador mostrava: 3,5. O teste apontou que 56% das vendas aconteceriam de qualquer forma. ROAS incremental real: 1,54.

Dos R$ 180 mil investidos por mês, cerca de R$ 80 mil geravam venda nova. Os outros R$ 100 mil pegavam carona em quem já ia comprar.

R$ 100 mil por mês. R$ 1,2 milhão por ano comprando o que já era dele.

Por que a diferença aparece

Três causas explicam quase todos os casos que a gente vê, e vale saber qual é a sua antes de cortar qualquer coisa.

Marca forte. Quanto mais conhecida a marca, maior a fatia de gente que já estava no ciclo de compra sem precisar de anúncio. Ironia cruel: quanto melhor o branding, pior o ROAS incremental da mídia. E isso é boa notícia para o negócio, não má.

Remarketing pesado. Martelar quem visitou quinze vezes converte. Mas essa pessoa estava convertendo com ou sem o décimo sexto anúncio. O CPA baixo que o remarketing exibe no painel não é mentira. Ele mede quem já estava mais perto de comprar, e não o efeito que o anúncio teve sobre essa pessoa. É a mesma leitura de quando o remarketing funciona e quando ele queima verba.

Atribuição de último clique. O cliente viu o Stories orgânico ontem, pesquisou no Google hoje, viu o anúncio à tarde e comprou. O último clique leva o crédito inteiro de um conjunto de toques, que é a mesma distorção de quando o modelo de atribuição errado infla o ROI de um canal.

O que fazer com o resultado

No caso acima, a decisão foi cirúrgica, não um corte geral:

  1. Cortou o remarketing mais agressivo: economia de R$ 45 mil por mês, com queda de apenas 4% nas vendas.
  2. Redistribuiu a verba liberada para prospecção, onde o lift é estruturalmente maior.
  3. Passou a rodar Conversion Lift a cada trimestre, porque incrementalidade muda conforme a marca cresce.

Repare que ele não desligou remarketing. Reduziu o excesso, que é coisa diferente. A queda de 4% é a prova disso: o remarketing dele continuava causando venda, só não gerava venda que justificasse R$ 45 mil de verba por mês. A leitura certa do teste não é “remarketing não serve”, é “remarketing serve como fatia minoritária da verba, e o painel não sabe te dizer onde essa fatia termina”. E a decisão de para onde mandar a verba liberada segue a lógica de alocar por ROI marginal, não por ROAS médio.

Como rodar

A ferramenta é nativa no Meta e não custa nada. O que ela exige é volume: sem cerca de 100 conversões por semana, o teste não alcança significância e o resultado não serve para decidir nada.

O preço do teste é real: você precisa parar de mostrar anúncio para uma parte do público. É o que trava a maioria das contas: “e se eu perder vendas?”. Você vai perder algumas, de propósito, por algumas semanas. O que você está comprando com isso é saber quanto está perdendo todo mês sem saber.

Quando o teste não é viável

Sendo direto: há contas onde não dá para rodar, e insistir gera número sem significado.

Abaixo do volume mínimo, o intervalo de confiança fica tão largo que o resultado abrange desde “tudo incremental” até “nada incremental”. Em operações com ciclo de venda muito longo, a janela de duas a quatro semanas termina antes das vendas acontecerem. Aí o teste precisa medir um estágio intermediário, como reunião agendada, e não receita.

E em lançamento de marca nova, o teste tende a confirmar o óbvio: quase tudo é incremental, porque ninguém compraria algo que não conhece. Guarde o teste para quando a marca amadurecer.

Se você investe acima de R$ 30 mil por mês em Meta e nunca rodou, existe desperdício. Pode ser 10%, pode ser 60%. Vale medir em paralelo a camada mais mecânica do mesmo problema, porque o connect rate mostra quanto do clique que você pagou nunca chegou na página. A única coisa que dá para afirmar sem o teste é que você não sabe qual dos dois é.

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